7 de Setembro
Ouço sinos tocando ao longe...
As andorinhas voltaram
pilotando suas Harley-Davidson Electra
Acordei com gosto de caneta Bic na boca
sentindo cheiro de suspiros
fresquinhos, saindo do forno...
Foi lindo o desfile este ano
Pena que eu já estava morto...
Pena que eu já estava morto...
Meus pensamentos estavam me matando
Impossível dormir...
com as luzes acessas
E ainda
Quando se faz das cinzas coração.
Nada existia
E minha mente estava programada
Não sei para quê (?)
Meus pensamentos
Estão me tornando um covarde
Estou esverdeando e me tornando um evaporado
Você cancelou minha senha. Esqueceu?
Você sempre esqueceu, não é mesmo?
Você arrancou minha cabeça de minhoca
e a enfiou na lama
E eu nunca mais a senti
no lugar
Se por um lado o som exuberante daqueles bumbos todos
e das caixas de repique e zabumbas
fizessem com que minha dor de cabeça apitasse
O movimento sincronizado dos talheres sobre a mesa
dos joelhos de uma determinada bailarina gordinha que usava tranças
fazendo estrepolias no asfalto com varinhas de condão
me deixava irado
Eu podia ver quase tudo
através dos fios
com um pequeno binóculo
da janela da kit
O caráter cívico do corpo
Como eu não havia pensado nisso antes?
Nota Zero...
Com passar dos anos, fui deixando de lado e de me relacionar com uma realidade-reflexo, que era minha própria mente, ou (quem sabe?) minha própria realidade-catavento estado de espírito, meu eu-emocional, que se disfarçava e se desintegrava ao som de uma banda marcial tocando Hey, Jude! Ou coisa parecida.
Impossível dormir...
com as luzes acessas
E ainda
Quando se faz das cinzas coração.
Se por um lado, num primeiro momento eu rolasse na cama e não achasse o travesseiro com penas de galinha preta esparramadas pelo chão, e isso tenha me causado sérios problemas e algum desconforto, à medida que eu me sentia abandonado por todas aquelas pessoas que tomavam pílulas, e com as quais, durante anos, eu acreditara relacionar-me de forma favorita afetiva, sincera e intensa; por outro, fez com que eu me aproximasse e reconhecesse a mim mesmo, cada vez mais, como há anos eu havia me perdido, desvinculando-me da minha própria natureza e auto-imagem, vivendo a ilusão dos meus desejos antepassados e desses relacionamentos tolos todos. Pablo estava duro.
E minha mente estava programada
Não sei para quê (?)
Meus pensamentos
Estão me tornando um covarde
Estou esverdeando e me tornando um evaporado
Você cancelou minha senha. Esqueceu?
Você sempre esqueceu, não é mesmo?
Você arrancou minha cabeça de minhoca
e a enfiou na lama
E eu nunca mais a senti
no lugar
Se por um lado o som exuberante daqueles bumbos todos
e das caixas de repique e zabumbas
fizessem com que minha dor de cabeça apitasse
O movimento sincronizado dos talheres sobre a mesa
dos joelhos de uma determinada bailarina gordinha que usava tranças
fazendo estrepolias no asfalto com varinhas de condão
me deixava irado
Eu podia ver quase tudo
através dos fios
com um pequeno binóculo
da janela da kit
O caráter cívico do corpo
Como eu não havia pensado nisso antes?
Nota Zero...
